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Guia Prato Firmeza: a cidade descentralizada é mais bonita (e saborosa)

Adriana Terra

13/06/2018 04h09

“A gente costuma dizer que o Prato Firmeza é uma plataforma pra falar sobre muito mais coisas além da comida. Na verdade, a comida é só o meio que a gente usa aqui pra falar sobre cidade, território, descentralização e, principalmente, diversidade”, contam os autores do “Prato Firmeza: o guia gastronômico das quebradas”.

Criada pelos alunos da ÉNois, agência escola de jornalismo surgida em 2009 a partir de projeto no Capão Redondo, a publicação é um dos guias mais legais que você pode ler sobre comida e São Paulo. Depois de conquistar o 6º lugar no Prêmio Jabuti 2017, ela vai ganhar uma segunda edição, com lançamento em julho pela Panda Books (capa acima). Seu maior trunfo? Pensar a cidade além do centro expandido. Ou, como ouvi numa conversa sobre a obra de Lima Barreto durante a Flip, “ter a ousadia de sugerir que o subúrbio é parte da cidade” — o que, é claro, deveria ser regra.

“Foi um processo de muito aprendizado sobre os territórios de todo mundo que fez, uma vez que a gente teve que olhar para os lugares que sempre nos foram tão comuns. Se a gente cresceu vendo em todo lugar que a comida boa estava apenas nos restaurantes sofisticados e premiados que ficavam longe das nossas casas e dos nossos bolsos, os lugares perto da gente jamais estariam dentro desse círculo, né?”, questionam, lembrando um senso comum que foi subvertido por eles ao longo do projeto. 

O processo de produção do guia teve início com um mapeamento afetivo. “A gente começou a levantar os locais com potencial, seja pela comida, por algum fato curioso, pela história bacana, pela importância para a região. E aí o olhar já começa a mudar, quando a gente começa a utilizar os métodos da crítica gastronômica ‘tradicional’ para avaliar os estabelecimentos”, contam.

Entre os critérios usados, foram prioridade locais que usam menos aditivos na comida, que enxergam a gastronomia de uma forma também política, além de ter sido feito um recorte de preço (média de R$ 20), mas que podia variar em alguns casos.

Em Pirituba, perto de onde cresci, a Casa da Árvore tem um lanche joia, reforço a dica (Foto: Guilherme Petro)

No final, a gente percebe que esses lugares não ficam atrás de nenhum local do centro expandido e que se trata muito mais de uma questão social, de falta de interesse dos veículos tradicionais em sair das suas bolhas regionais e de classe. E, a partir do momento em que a gente passa a ter essa percepção do nosso próprio território, a gente passa a ter mais propriedade e identificação com ele”, dizem os autores.

Após o sucesso do primeiro volume, rolaram muitos retornos sobre as sugestões (o Pantcho’s House Burguer conquistou clientes em toda a cidade, por exemplo), além de dicas de outros cantinhos. “E guardamos todas para visitar posteriormente. Os alunos autores são de lugares diferentes, mas a cidade é muito maior“, garantem.

Cachacinha na Casa do Norte Nova Mandacaru (Fotos: Alexandre Ribeiro, Guilherme Petro e Yuri Ferreira)

 

Para estimular o rolê e ampliar o olhar sobre São Paulo, pedi ao pessoal do guia que listasse alguns destaques da primeira edição, e também propusesse um roteiro caminhável para conhecer três lugares numa tacada só. Vai lá:

“Tem o Restaurante da Marlene, em Parelheiros. É o lugar mais no extremo sul que mapeamos. É um restaurante de comida caseira que usa produtos orgânicos e várias Pancs dos produtores de lá, a um preço totalmente em conta. O empreendimento já tem quase 30 anos e passou de geração. Os filhos da Dona Marlene, uma das maiores especialista em alimentação que eu conheço, trabalham todos lá com ela.”

“Ainda na Zona Sul tem o Bar do Zé Batidão, no Jardim Ângela, que tem um escondidinho de carne seca famoso na região e, mais que isso, é o local que sedia o Sarau da Cooperifa há 15 anos, toda terça, das 20h30 às 23h.”

“Em Santo André, tem a Casa da Lagartixa Preta que não é um estabelecimento comercial como os outros, mas sim um coletivo anarquista que, todo primeiro sábado do mês, faz uma pizzada vegana para arrecadar dinheiro para o espaço. R$18 com pizza à vontade [leia mais no site do Guia].”

UM ROTEIRO NA ZN:
“Na Zona Norte dá pra fazer um trio delícia de refeições”, garantem.

(Foto: Alexandre Ribeiro, Guilherme Petro e Yuri Ferreira)

1 – Casa do Norte Nova Mandacaru: Av. Itaberaba, 4629 – Itaberaba
“Dá pra começar com tudo porque a Nova Mandacaru tem o melhor baião de dois do mundo”. [veja aqui o post sobre o local no site do Guia].

2 – Doce Feitiço Rotisseria – R. Rui de Morais Apocalipse, 129 – Jardim do Tiro (21 minutos de caminhada, segundo o Google Maps)
“Para a sobremesa, a Doce Feitiço tem mais de 35 opções de bolo, com destaque para o de ameixa <3 que é de massa branca, recheada com doce de leite, coco ralado e ameixa”.

(Foto: Alexandre Ribeiro e Nayra Lays)

3 – Point do Milho Verde  – Av. Deputado Cantidio Sampaio, 874 – Vila Souza (17 minutos de caminhada)
“Para mais uma rodada de comida, o Point do Milho verde tem, como o nome diz, várias coisas gostosas e diferentes com milho, como a variedade de sabores de pamonha que inclui a Romeu e Julieta. No entanto, o mais curioso é que o carro-chefe da casa é o SELF-SERVICE de açaí e creme de cupuaçu caseiro. Além disso, eles também servem vários caldos, sendo o de carne seca o mais procurado”.

Anotado? Para adquirir o exemplar físico do guia, que está em promoção e custa apenas R$ 15, visite a página -> https://enois.lojaintegrada.com.br

Sobre a autora

Adriana Terra é jornalista e gosta de escrever sobre a cidade e sobre cultura. É co-criadora da série “Pequenos Picos”, mapeamento afetivo de comércios de bairro da capital paulista, e mestranda em Estudos Culturais na EACH-USP, onde pesquisa lugares e modos de vida. Foi criada em Caieiras e há 15 anos vive no centro de São Paulo. Na zona noroeste ou na Bela Vista, sempre que dá, prefere ir caminhando.

Sobre o blog

Dicas de lugares, roteiros, curiosidades sobre bairros, entrevistas com personagens da cidade, um pouquinho de arquitetura e mais experiências em São Paulo do ponto de vista de quem caminha.

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